Mensageiro do tempo...




Era uma vez um lugar tão tão distante, que deu preguiça de chegar lá.

Aí fiquei pelo caminho e me pus a imaginar o que de tão fantástico teria além das montanhas.

De tão cansada, dormir e sonhei.

Era um sonho bom, daqueles que você sorrir sem perceber, é feliz sem o saber, volta a ser criança com todo prazer.

Neste lugar você pula, grita, corre, suja-se de lama, consegue até parar para olhar as estrelas. E tem vontade de pegar uma estrela, tem vontade de ver a lua, o sol no meio da noite...

Resolve desenhar, e desenha um desenho lindo, muito lindo, cheio de rabiscos e desejos, de formas sem cores, de sentidos e verdades.

Aí você percebe que precisa voltar, que é preciso acordar, e acorda.

Mas percebe que trouxe consigo um pouco daquele lugar e por isso, fica diferente.

E as pessoas te percebem diferente.

Não acreditam que em algum lugar possa ser feliz, apenas feliz.

E você diz que sim, e elas dizem que não.

Você fecha os olhos e sente, está em Fantasia novamente, e pode criar o seu mundo de ilusão. Senhor de suas vontades, mensageiro de uma criança, guerreiro de um povo inteiro.

Como não saber chegar lá, como não ter vontade de ficar, como não querer trazer pra cá?...

Aí você segue a sua vida cheia de rotinas, de coisas repetidas, de coisas que não importam.

Mas está transformado por inteiro, por apenas um sonho.

Mensageiro do tempo, do sem fim!

Permite-se de quando em vez voltar lá, por que sabe e acredita que “Cada vez é pra sempre” e “O pra sempre é apenas um momento...”.

(Mensageiro do tempo - Márcia Xavier)

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