Em meio à tempestade...




Parece que foi ontem,
Mas o ontem também pode ser muito tempo...
Não este que estamos acostumados a marcar nos relógios,
Mas aquele bem ao estilo de Tomás de Aquino: “O instans nunc”...
Sim, sim...
And sometimes there'll be sorrow!
E ele estava num dia triste.
E passou correndo. Chorando em desespero.
Agora tudo acabou.
Já não era mais ninguém.
Avistou o banco da praça e sentou, precisava respirar um pouco.
Precisava respirar...
Parecia que até o ar lhe faltava, porque o chão perdera há muito tempo.
Que fazer?
A única solução que via, era se jogar em baixo de um carro, pular da ponte, morrer dentro de um rio...
Para quê se debater quando se está dentro do olho do furacão?
Ele podia morrer, desejou morrer...
O dia era triste e nublado, daquele que aumentam ainda mais a tristeza.
Ele só queria fazer esta dor passar, e voltar outra vez a ser livre...
Apenas adormeceu!


Tentou se levantar, mas não pôde, tinha algo errado.
Tentava se lembrar de algo que possa ter acontecido, mas a única coisa que conseguia era estar sentando na varanda do seu quarto por muito tempo.
Suas pernas não respondiam, seus braços....
Porque não conseguia se levantar?
O que houve?
Sentia fortes dores nos pulsos e tornozelos, foi então que percebeu que estava amarrado.
Amarrado?
O desanimo tomou conta, ninguém precisava contar o que havia acontecido, ele já deduzia...
Teve outra crise...
Deve ter sido muito forte, há muito não precisavam amarrá-lo...
Sentia que os medicamentos já não estavam dando conta.
Aumentavam as doses constantemente, temia o pior.
Não era difícil imaginar o pior quando se está amarrado numa cama, dentro de um quarto totalmente branco, num hospital psiquiátrico...
Mas a realidade há muito não era a mesma, sentia dificuldades em localizar um pensamento lúcido de um delírio...
A porta abriu e por ela passaram médicos, enfermeiros... E sua mãe.
Ela tinha os olhos vermelhos, tinha chorado muito...
Ela me olhava com aquele pesar que só as péssimas notícias podem conferir.
Por que me olhavam assim?
O que está havendo? O que vão fazer comigo?
Tentava gritar e não conseguia, a língua estava entorpecida, malditos tranqüilizantes, já estavam fazendo efeito...
Mãe me tira daqui, mãe... mãe...




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